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O que é sofativismo?

Sofativismo

Eu tenho notado que muita gente vem parar no meu blog ao pesquisar sobre isso. E parece que o Google, não sei o porquê, pôs meu blog nos primeiro lugar dos resultados quando se pesquisa sofativismo. Eu nem escrevi especificamente sobre o tema. Mas já que estou lá, tentarei fazer jus a posição, ajudando a definir o conceito. Pois é, estou “me achando”… 

Se você procurar por sofativismo nos dicionários provavelmente não encontrará respostas. Não há definição oficial do termo. Ainda. Principalmente porque, como já explicou o Israel Nobre, no HBDIA, “sofativismo é a aportuguesação do termo gringo ‘slacktivism’ — que é por sua vez um portmanteau das palavras ‘slacker’ (‘preguiçoso’, ‘vagabundo’, ‘sem ambição’ — era o termo que o diretor do McFly usava pra descrever o moleque, lembra?) e ‘activism’, que dispensa tradução”. Então acho que posso dar meu pitaco no assunto. Pelo menos até os intelectuais e acadêmicos resolverem tomar conhecimento dessa nova palavra.

Sofativismo é o ativismo de sofá. É uma simulação de ativismo. É adotar atitudes que simulam o engajamento em uma causa (política, social, religiosa, etc) e que trazem pouco ou nenhum benefício para a causa em questão. Em verdade, algumas atitudes sofativistas podem ser até prejudiciais para a causa que o indivíduo pensa que está defendendo. A simulação de engajamento pode ser intencional, quando o sofativista visa apenas parecer bonzinho na internet e chamar a atenção para si mesmo. Ou pode ser não-intencional quando o sofativista age por ignorância. E um sofativista nunca abandona o conforto de seu sofá. Fica de lá posando de consciente, mas sem agir efetivamente para mudar a realidade.

Na prática uma mensagem sofativista nada propõe ou, pelo menos, nada propõe de útil. Por exemplo: “mude seu avatar do Facebook para demonstrar apoio à luta contra o câncer de mama”. Que ajuda isso está dando às vítimas? O que isso está acrescentando para a causa? Eu respondo: nenhuma e nada, respectivamente. Outro exemplo típico: “copie esta mensagem no seu perfil para homenagear as vítimas de câncer”. Sem dúvida uma “grande homenagem”…

Um exemplo mais absurdo: “Eu apoio a guerra pela [insira uma causa aqui] em [insira um país aqui]“. Apoiar no Facebook é fácil. E daí? Quanta ajuda o sofativista está disposto a enviar para os que estão lutando lá do outro lado do mundo? O sofativista quer bancar o bonzinho falando da guerra em outro continente, enquanto ignora um monte de problemas sérios acontecendo logo ali, na esquina, e que ele poderia ajudar a combater efetivamente.

E é fácil separar as mensagens sérias das sofativistas. Se a mensagem traz em algum ponto a frase “copie isso no seu perfil” (ou alguma variação disso), tem grandes chances de ser sofativismo. Se traz pouca ou nenhuma informação e nenhuma reflexão ou argumento racional, certamente é sofativismo. Enquanto uma mensagem séria convoca os internautas para um protesto organizado, com local, data e hora determinados, uma mensagem sofativista pede que você mude seu avatar ou cole algo em seu mural.

Mas qual é o mal de postar umas bobagens nas redes sociais? A princípio nenhum. Cada um escreve o que quiser em seu microblog ou perfil. Mas na ânsia de ser bonzinho, sem pensar antes de agir, as pessoas fazem coisas estúpidas. Um exemplo claro disso foi o caso do blog com conteúdo de pedofilia, que movimentou o Twitter em junho deste ano. Caso do qual o próprio Israel Nobre já falou, lá no HBDIA, no link que cito acima. Milhares de pessoas, em sua indignação ignorante, ajudaram a divulgar o link de um site de pedofilia. Não apenas ajudaram um criminoso, mas também elas mesmas cometeram um crime.

Mesmo as mensagens mais inocentes são prejudiciais. Copiando meia dúzia de frases de efeito para o Facebook muitos acham que estão realmente fazendo algo de útil e relaxam. Enquanto os problemas continuam exatamente como eram antes. Quem está sofrendo com o câncer continua a sofrer com o câncer. Mensagem no perfil do Facebook não paga tratamento e nem diminui a dor. Os famintos continuam famintos, porque frase de efeito não alimenta. E a corrupção continua, porque frase de efeito não tira corruptos do poder. Sofativismo aliena, distorce e enfraquece as verdadeiras lutas.

É por isso que muita gente me acha antipático nas redes sociais. Eu não aturo esse tipo de mensagem e critico mesmo. Se sofativistas soubessem utilizar seus cérebros, veriam que estou ajudando-os com minha crítica e não apenas sendo chato. Infelizmente, hoje, há cada vez mais gente interessada escrever e cada vez menos interessada em pensar primeiro. A internet é uma maravilha, mas deu voz para muita gente que não sabe o que falar.

  1. 11/10/2011 às 7:42 PM | #1

    Parabéns, Felipe. Novamente encontro um artigo muito bem escrito em seu blog.

    Eu sou uma destas pessoas que chegou ao seu blog procurando pelo termo ‘sofativismo’ e, na ocasião, o seu texto me esclareceu bastante sobre o tema. Agora este novo artigo acrescenta ainda mais informação.

    Estou de acordo com você: é fácil apoiar causas mudando avatar ou colando textos ridículos no mural. E dá vergonha…

    Grande abraço,

    Jacqueline

    • 11/10/2011 às 10:30 PM | #2

      Obrigado, Jacqueline!

      Eu fico feliz que o texto tenha sido útil. Eu espero que mais gente leia e pense sobre o assunto (mesmo que não concordem comigo). Quem sabe eu não acabo contribuindo para diminuir um pouco essa alienação que toma conta das redes sociais atualmente…

      Abraços,

      Felipe

  2. Paulo Lima
    14/10/2011 às 3:15 PM | #3

    Acho que 90% desse sofativismo é ainda mais podre. Porque replicam as mensagens por causa da pessoa de quem receberam/viram. Então basta um sofativista escrever alguma coisa que vários outros sub-sofativistas fazem eco…

    me lembro que na última modinha dessas (do dia das crianças) discuti com algumas pessoas no facebook. É contra abusos sexuais contra menores? Ajude as vítimas, não pratique, não insinue, não faça parecer que o sexo é normal para crianças. Disse que os abusadores são pessoas normais, como a que havia mudado o icone do facebook. A discussão se estendeu por longas horas… Até que ela entendeu que esse tipo de protesto não muda nada.

    • 14/10/2011 às 5:36 PM | #4

      Pelo menos no fim ela entendeu, Paulo. Hehehehe… A maioria não entende. Ou finge que não entende…

      Abraços,

      Felipe.

  3. 20/12/2011 às 11:27 AM | #5

    Excelente artigo Felipe! Dá uma raiva de gente que fica compartilhando essas coisas de “cole em seu mural”, pô mano, aí é complicado! Talvez o único que não achei que era sofativismo, mas também não compartilhei nem enviei pra ninguém porque não gosto disso, era sobre os melhores amigos e tal, “enviar pras pessoas que você considere seu melhor amigo(a)”. Até aí tudo bem, na minha opinião. Claro que vai ter gente mandando pra lista toda de amigos, aí já é falsidade.

    Eu, por exemplo, semana passada critiquei sobre o preço do iPhone comparando com coisas básicas do nosso cotidiano. Teve gente lá querendo me crucificar, que não tinha nada a ver e tal. Falta de interpretação é fim da picada! Apenas disse que o pessoal (não todos, claro) não faz a mínima cerimônia em pagar R$ 2500 em um iPhone 4S e pagar R$ 2,90 em algum transporte público já acham um absurdo. Pô, tem que ver isso aí né? Se alguém paga R$ 2500 em um iPhone com o maior orgulho, não tem que reclamar do preço (eu disse do PREÇO) de transporte público e tal. Veio gente falando, “mas tem que reclamar mesmo, está ruim”. Aí está a falta de interpretação, estou comparando PREÇOS e não o funcionamento.
    Realmente, todos sabem que transporte público é um caso complicado de solucionar, isso é outra coisa. O ponto, como já disse umas duas vezes lá em cima, é como a população encara a realidade. O pior é que ele não pensa que se chegar um ladrão armado, leva o iPhone dele e já era R$ 2500 e isso ninguém pensa.

    E o que eu faço para isso? Simples, não compro um iPhone, nunca pensei em comprar. Sobre impostos abusivos, costumo comprar do exterior, só se for vantagem, claro! E o mais importante, pra acabar com essa safadeza, ou tentar, de impostos absurdos, voto nulo. É de conhecimento de muitas pessoas que se tiver mais votos brancos e nulos do que dos candidatos, é feita uma nova eleição com candidatos diferentes dos que concorreram. Aí seria outra coisa. Imagine uma disputa presidencial ser anulada, quem seriam os candidatos?

    Além de, essa alienação do povo é bem antiga, todos sabem. Um exemplo, tenho 21 anos, acompanhei mais os mandatos do Lula, pois já era bem grandinho. Enfim, veja só, foi provado, e ele confessou, que sabia do esquema do mensalão. Certo, o que seria o correto? O povo protestar contra o “grande” presidente, ou deixar pra lá porque ele errou mas não foi por mal? O que o povo fez? Deixou pra lá e votou na Dilma ano passado! Cadê a conscientização do povo brasileiro? Isso é pura alienação. Não estou aqui pra criticar PT nem nada, porque não sou a favor de partido nenhum, mas isso é um fato, ocorreu e a cada dia que passa o povo anda mais alienado. Situação que é difícil de inverter! A solução, já disse, anular a eleição!

    • 20/12/2011 às 12:04 PM | #6

      É, tem umas mensagens sobre amizade que eu acho até bem legais. Não compartilho porque prefiro eu mesmo escrever o que penso e sinto para meus amigos. Mas não vejo problema em compartilhar.

      R$ 2500,00 em um telefone… Por mais que ele funcione bem, eu não pagaria. Não tenho nada contra quem quer pagar, mas eu não pagaria mesmo. Estou feliz com o meu Nokia de R$ 120,00. Faz e recebe chamadas, envia e recebe mensagens, desperta na hora certa e a bateria dura 1 semana ou mais. Para que mais que isso? Para pagar dois mil reais em telefone é mais vantagem comprar um tablet.

      Não há consciência e nem memória política em nosso país. O povo vota em quem faz o discurso mais bonito. Mesmo que seja tudo mentira. E não sei se a melhor solução para isso seria anular eleições. Acho que o melhor seria educar o povo. Para que aprendam a pesquisar sobre os candidatos e votem direito. Qualquer pesquisa de 5 minutos no Google desmascara qualquer mentira. Mas as pessoas acham que internet se resume ao Orkut…

  1. 19/12/2011 às 9:00 AM | #1

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